terça-feira, 14 de outubro de 2014

PROJETOS


Retornamos a este diário para dizer que o projeto sobre a criação do espetáculo "Stela" está vivo, respirando... Neste momento demos uma pausa na pesquisa prática para nos dedicarmos a produção. E estamos correndo contra prazos, editais, burocracia, documentação, etc... Mas tudo necessário para que consigamos levar o espetáculo a cena, pois sem apoio fica inviável colocar este projeto em execução. Portanto fiquem ligados aqui neste espaço e confira nossos próximos passos. 
E para ficarmos no clima eis um falatório de Stela do Patrocinio: 
Se eu sumir desaparecer eles me procuram onde eu estiver

Pra estar olhando pro gás pras paredes pro teto
Eu era gases puro, ar, espaço vazio, tempo
Eu era ar, espaço vazio, tempo
Eu não tinha formação
Não tinha formatura
Não tinha onde fazer cabeça
Fazer braço, fazer corpo
Fazer orelha, fazer nariz
Fazer céu da boca, fazer falatório
Fazer músculo, fazer dente
Eu não tinha onde fazer nada dessas coisas
Fazer cabeça, pensar em alguma coisa
Ser útil, inteligente, ser raciocínio
Não tinha onde tirar nada disso
Eu era espaço vazio puro

sábado, 5 de abril de 2014

DIÁRIO DE MONTAGEM#1 por Candy Santi


video
Processo de Montagem de "Stela"

Começamos o processo de construção desta peça com encontros onde fizemos diversas leituras e debates. Entre os textos lidos estão os autores: Antonin Artaud, Antonio Guedes, Josette Féral, Hans-ThiesLehmann entre outros.

1° DIA DE ENSAIO: Iniciamos o processo de ensaio com leituras sobre encenação. Logo após, fomos experimentando na pratica alguns exercícios propostos pelo Diego. No primeiro ensaio, ele propôs de trabalhar diferentes energias, de potência e leveza, trabalhando essas potencias do corpo para a voz, para o texto. Inicialmente com o trabalho em cima da potência, eu deveria me deslocar pela sala com uma dificuldade, como se no ar existisse algo que me impedisse de me movimentar e de falar. Diego vendou meus olhos. Para mim aquilo me trouxe o medo, medo de me bater em alguma coisa da sala, ou nas paredes, mas principalmente o medo do escuro, do vazio, da morte. A dificuldade de falar já me trazia uma não comunicação com o mundo exterior e ao mesmo tempo me conectava mais profundamente com os meus pensamentos, com aquilo que queria dizer e me era negado. Depois vendaram minha boca, já não tinha mais um sentido, dois sentidos me foi negado, o da visão e da fala. Restou-me a audição, e Diego havia colocado uma música que era uma espécie de lamento de choro. Como não conseguia falar, nem enxergar, me restou ouvir e essa música me levou justamente para onde ela propunha o choro. Comecei a chorar descompassadamente, meu corpo foi ao chão e senti uma mistura de cansaço com tristeza. Passou pela minha cabeça muitos pensamentos, de como era horrível ser podado, ser excluído, impedido de manifestar suas emoções, suas vontades, suas opiniões. Vi-me num lugar escuro, aonde ninguém iria me ouvir, não adiantava o que fizesse tudo era inútil. Depois disso, Diego pediu para que eu trabalhasse com a leveza, me deu duas fitas de tecido para segurar e desenhar pelo espaço com elas. Senti-me como uma criança, feliz por poder soltar todo corpo, por poder dizer as palavras da forma que eu queria. Mais tarde Diego pediu para que eu me virasse de costas para ele e ele diria algumas palavras eu teria que me virar e formar corporalmente uma imagem, criando assim uma sequencia de imagens que depois se tornou uma partitura. 

2° DIA DE ENSAIO: Eu estava cansada, ainda um pouco gripada, então assistimos uns vídeos sobre Stela. E depois partimos para o trabalho, aquecendo e relembrando a partitura criada no ensaio anterior. Buscando transições de uma imagem a outra, criando novas imagens. Tudo inicialmente exagerado, mas depois buscando alternar, detalhes, de voz e de corpo. 

3° DIA DE ENSAIO: Fizemos um breve aquecimento com rolos e apoios, depois nós iniciamos relembrando o que foi criado no ensaio anterior, agora buscando mais sutilezas, mais formas diferentes de dar o texto. Percebi como eu tenho a voz cantada, principalmente quando chega ao final de uma frase. Algumas ações que estavam exageradas foram diminuídas para potencializar impulsos, outras foram retiradas e criamos mais algumas. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

STELA DO PATROCÍNIO: A MULHER QUE FALAVA COISAS - REFERENCIAIS #2



Um filme de Marcio de Andrade
(RJ, doc., 15 min., cor, video, 2008)
O documentário experimental é um mergulho no universo poético dessa mulher e traduz suas falas inquietantes, com uma linguagem extremamente plástica e visual. "Stela do patrocínio, a mulher que falava coisas" foi dirigido por Marcio de Andrade.
O documentário participou também de diversos festivais no Brasil e no exterior, dentre eles o Festival É Tudo Verdade, o Festival de Cinema de Havana, o Festival de Cinema Brasileiro em Paris. Recebendo Prêmios de Melhor Documentário nos Festivais de Recife, Curta Santos e Menção Honrosa na Jornada da Bahia




domingo, 23 de março de 2014

PROJETO STELA - NOSSOS REFERENCIAIS


A primeira fonte de pesquisa é o livro "Reino dos bichos e dos animais é o meu nome" com organização de Viviane Mosé (Rio de Janeiro: Azougue, 2002) e falatórios de Stela do Patrocínio. 
As falas de Stela ficaram na minha memória (Diego Ferreira), desde que eu assisti "Stella do Patrocínio" em 2002 no Porto Alegre em Cena com a atriz acreana Clarisse Baptista. 

"Quando assisti a atriz Clarisse Baptista no monólogo Stella do Patrocínio, fiquei extasiado primeiro pela linda interpretação desta atriz acreana (nunca tinha assistido nada do Acre) e segundo pela linda história de Stella do Patrocínio que é emocionante. A peça é um testemunho de Stella, que por 30 anos estava trancada na Colonia Juliano Moreira, uma instituição psiquiátrica do Rio de Janeiro. Fiquei maravilhado, boquiaberto,  e surpreendido com a qualidade deste trabalho. A história de Stella do Patrocínio, o texto, o visual do cenário baseado nos trabalhos de Arthur Bispo do Rosário, interno da Colônia Juliano Moreira onde também viveu a personagem, a iluminação, culminando com a fantástica entrega de Clarisse Baptista. Arrebatador!!!" Diego Ferreira via blog Válvula de Escape em 27/11/2011

Esse trabalho, este texto jamais saiu de minha cabeça e há cerca de dois anos atrás estava pensando no meu retorno a Porto Alegre e pensava em projetos para dirigir, mas queria algo que primeiramente me provocasse e me tocasse enquanto artista, e me veio a obra de Stela do Patrocínio. Depois disso comecei uma longa pesquisa sobre suas obras, além de um vasto material acadêmico sobre Stela e constatei que a obra de Patrocínio é bastante popular  na acadêmia, nas áreas de psiquiatria, filosofia e artes, mas ainda permanece desconhecida de grande parte da população.  
No inicio de 2013 dei inicio a pesquisa voltada para a criação de um espetáculo solo e a primeira atriz a ser convidada foi a Fernanda Sturmer, que chegou a ler alguns materiais sobre Stela, mas que devido a compromissos com a sua formação em Teatro na Uergs teve que desistir do projeto. Diante disso, em meados de setembro/2013, convidei minha colega de faculdade Candida Santi, que admiro muito seu trabalho e desde o tempo de faculdade tínhamos uma parceria muito interessante. Candida após a leitura dos primeiros escritos ficou fascinada, assim como eu, e diante disso pudemos vislumbrar a possibilidade de criarmos um trabalho a partir da potência que é a arte de Stela do Patrocínio...
E nossos ensaios tem nos mostrado isso, cada texto, cada frase, temos que parar e refletir a grandiosidade e singularidade que pontua toda sua obra. 
Será um processo de revelações, surpresas e descobertas...
Diego Ferreira - 23 de março

sábado, 15 de março de 2014

PROJETO STELA DO PATROCÍNIO


Hoje, dia 15 de março de 2014, lançamos este blog que nos servirá de Diário de Montagem do espetáculo "STELA" que terá atuação de Candy Santi e direção e dramaturgia de Diego Ferreira. 
O espetáculo parte de textos, poemas e falatórios de Stela do Patrocínio, e tem previsão de estreia para o segundo semestre. 
Iniciamos o projeto em setembro de 2013, através de estudos teóricos acerca da obra de Stela que viveu durante 30 anos internada em manicômios. 
Nos próximos dias estaremos publicando textos, imagens e vídeos sobre o processo deste trabalho que tem nos envolvido muito. 
Então acompanhe nosso diário e seja bem vindo ao universo de Stela do Patrocínio.